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Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

Um futuro tenebroso (para um presente igualzinho)

Recebi pelos emails da vida um link para uma fantástica animação. Se chama EPIC 2014, e é um relato, em 2014, sobre a história da mídia eletrônica e de como ela rechaçou a tradicional.

Consegui uma transcrição em inglês e, com dois amigos, O Aarakocra(responsável até 2003) e a Mariana Medina(entre 2004 e 2008), traduzi para os não angloparlantes poderem acompanhar.

A tradução segue abaixo, assistam com calma e pensem se as coisas, apesar de todos os recursos, realmente vão ficar muito diferentes do que já são.

Link para o EPIC 2014.

Tradução:

No ano de 2014, as pessoas terão acesso a uma extensão e profundidade de informação inimaginável em épocas anteriores.

Todos contribuem de alguma maneira.

Todos participam para criar um meio jornalístico vivo, dinâmico. Porém, a imprensa, como você a conhece, deixou de existir. As fortunas do Quarto Poder minguaram. As organizações de notícias do século 20 são apenas resquícios remanescentes de um passado não muito distante.

O caminho para 2014 começa no meio do século 20.

Em 1989, Tim Berners-Lee, um cientista da computação no laboratório de física de partículas do CERN, na Suiça, inventa a World Wide Web (Grande Rede Mundial)

1994 assistimos à fundação da Amazon.com. Seu jovem criador sonha com uma loja que vende tudo. O modelo da Amazon, que viraria um padrão para vendas na Internet, é baseada em recomendações automáticas personalizadas - uma loja que faz sugestões.

Em 1998, dois programadores de Stanford criam o Google. Seu algoritmo nos remete à linguagem da Amazon, tratando links como recomendações, e desses fundamentos nasce o melhor e mais eficiente mecanismo de busca do mundo.

Em 1999, TiVo transforma a televisão ao arrancá-la das restrições do tempo - e dos comerciais. Quase ninguém que experimenta deixa de usar.

Neste mesmo ano, uma empresa pontocom chamada Pyra Labs revela Blogger, uma ferramenta pessoal de publicação.

Friendster aparece em 2002 e centenas de milhares de jovens correm para enchê-lo com um incrível e detalhado mapa de suas vidas, seus interesses e suas redes sociais. Também em 2002, Google lança Googlenews, um portal de notícias. Organizações jornalísticas tremem. GoogleNews é editado totalmente por computadores.

Em 2003, Google compra o Blogger. Os planos do Google são um mistério, mas seu interesse no Blogger não é sem sentido.

2003 é o Ano do Blog.

2004 seria lembrado como o ano que tudo começou

A Reason Magazine envia aos assinantes uma edição com uma fotografia de satélite das suas casas na capa e informação personalizada para cada assinante dentro.

Sony e Philips lançam o primeiro jornal eletrônico produzido em massa do mundo.

Google lança Gmail, com um gigabyte de espaço livre para todo usuário.

Microsoft lança Newsbot, um filtro social de notícias.

Amazon lança A9, um mecanismo de busca que se baseia na tecnologia Google que também incorpora o nome comercial da Amazon.

E então, Google se torna público.

Inundado em capital novo, a companhia faz uma grande aquisição. Google compra TiVo.

2005- em resposta às recentes mudanças de Google, Microsoft compra Friendster.

2006- Google combina todos os seus serviços ? TiVo, Blogger, Gmail, Google News, e todas as suas buscas no Google Grid, uma plataforma universal que propicia uma funcionalidade sem limites em quantidade de espaço de armazenamento e transmissão para armazenar e distribuir mídias de todos os tipos. Sempre online, acessível de qualquer lugar. Cada usuário seleciona seu próprio nível de privacidade. Ele pode armazenar seu conteúdo com segurança no Google Grid, ou publicar para todos verem. Isso nunca foi tão fácil, todos podem criar e consumir mídia.

2007 ? Microsoft responde ao desafio cada vez maior do Google com Newsbotster, uma rede social de notícias e uma plataforma de jornalismo participatória. Newsbotster classifica e ordena notícias, baseado no que cada um dos amigos ou colegas do usuário estão lendo e vendo e permite que todos possam comentar o que vêem.

O papel da Sony é mais barato que o papel de verdadeeste ano. Este é a mídia escolhida para a publicação do Newsbotster.

2008 vê a aliança que desafiará as ambições da Microsoft. Google e Amazon unem forças para formar Googlezon. Google supri Google Grid e incomparável tecnologia de busca. Amazon entra com seu mecanismo de recomendações sociais e a sua enorme estrutura comercial. Juntos eles usam seu detalhado conhecimento de toda rede de notícias social do usuário, fatores demográficos, hábitos de consumo, e interesses para propiciar um total ajuste pessoal do conteúdo ? e propaganda.

A ?Guerra das Notícias? de 2010 é notável pelo fato de que nenhuma organização realmente jornalística participa.

Googlezon finalmente põe a Microsoft em xeque com recursos com que a gigante do software não pode competir. Usando um novo algoritmo, os computadores do Googlezon constroem novas matérias dinamicamente, recortando frases e fatos de todas as fontes de conteúdo e as recombinando. O computador escreve uma nova matéria para cada usuário.

Em 2011, o adormecido Quarto Estado acorda para fazer seu primeiro e último ato. O ?New York Times? processa Googlezon, argumentando que sua ferramenta de construção de notícias é uma violação das leis de direitos autorais. O caso vai para a Suprema Corte, que, em 4 de Agosto de 2011, dá ganho de causa a Googlezon.

No domingo de 9 de Março de 2014, Googlezon lança o EPIC.

Bem vindo ao nosso mundo.

O ? Evolving Personalized Information Construct? (em português, Construção de Informação Personalizada Envolvente) é o sistema pelo qual nossa caótica e difusa mídia é filtrada, ordenada e entregue. Todos colaboram agora ? posts em blogs, imagens de câmeras de telefone, depoimentos em video, investigações completas. Muitas pessoas são pagas também ? uma pequena parcela do imenso faturamento do Googlezon em publicidade, proporcional à popularidade de suas contribuições.

EPIC produz um pacote de conteúdo personalizado para cada usuário, usando suas escolhas, seus hábitos de consumo, seus interesses, suas informações geográficas e sua rede de relacionamentos para adaptar o produto.

Uma nova geração de editores independentes surge, pessoas que vendem suas habilidades para integrar, filtrar e priorizar os conteúdos do EPIC.

Todos nós assinamos de muitos editores, EPIC nos permite misturar e combinar suas escolhas da forma que quisermos. No melhor dos casos, editado pelos leitores mais experientes, EPIC é um sumário do mundo ? mais profundo, amplo e com mais nuances que qualquer coisa já disponível

(A partir desse instante, tenho que transcrever direto do som, não há transcrição em inglês:)

Mas no pior dos casos ? e para a maioria ? EPIC é uma coleção de trivialidades, muitas delas falsas, todas pobres, superficiais e sensacionalistas. Mas EPIC foi o que queremos. Foi o que escolhemos. É um sucesso comercial. É o primeiro lugar para discussão sobre mídia, democracia e prática de jornalismo.

O New York Times saiu da internet. Ele se tornou um jornal offline, lido somente pela elite e pelos mais velhos. Mas talvez haja outro caminho...


link permanente | dito por AyloNs às 3:38 AM |  


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